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Locação em condomínios residenciais: entenda seus direitos e limites

Com o crescimento das plataformas de hospedagem por temporada, como o Airbnb, muitos proprietários de apartamentos em empreendimentos residenciais ficam em dúvida: posso alugar meu imóvel por curtas temporadas? O condomínio pode me proibir? Quais são as regras legais?

Neste artigo, vamos explicar de forma clara tudo o que a legislação brasileira e as normas condominiais determinam sobre o assunto — para que você tome decisões seguras e bem informadas.

O que diz a legislação sobre locação de imóveis?

No Brasil, a locação de imóveis é regulada principalmente pela Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/1991), que estabelece os direitos e deveres de locadores e locatários. Para contratos de longa duração (acima de 90 dias), essa lei se aplica integralmente, garantindo ao inquilino proteções como prazo mínimo de contrato, preferência na compra e renovação.

Já a locação por temporada — contratos de até 90 dias — também é prevista na Lei do Inquilinato, mas com regras mais flexíveis, permitindo cobranças adiantadas e menos burocracia para retomada do imóvel.

Airbnb e outras plataformas: locação ou hospedagem?

Aqui está um ponto crucial: quando um apartamento é anunciado no Airbnb com diárias muito curtas (1, 2, 3 noites), o STJ (Superior Tribunal de Justiça) tem entendido que se trata de contrato de hospedagem, e não de locação. Isso faz uma diferença enorme, pois contratos de hospedagem não são regulados pela Lei do Inquilinato, mas pelo Código Civil.

Na prática, isso significa que o proprietário tem maior liberdade para encerrar a relação com o hóspede, mas também significa que o condomínio tem mais poder para restringir esse tipo de uso.

O que o condomínio PODE fazer?

A Lei nº 14.010/2020 e diversas decisões judiciais recentes confirmam que o condomínio, por meio de sua Convenção ou Regimento Interno, tem o direito de:

Proibir ou restringir a locação por temporada curta (tipo Airbnb) em empreendimentos de uso estritamente residencial

Exigir cadastro prévio de hóspedes e visitantes junto à administração

Cobrar multas condominiais do proprietário que descumprir as normas aprovadas em assembleia

Estabelecer prazo mínimo para locações, como por exemplo, proibir estadias inferiores a 30 dias

Limitar o número de hóspedes simultâneos por unidade

O que o condomínio NÃO pode fazer?

Por outro lado, há limites claros ao poder do condomínio. Ele não pode:

Proibir totalmente a locação do imóvel, pois isso viola o direito de propriedade garantido pela Constituição Federal

Impedir a entrada de inquilinos ou hóspedes de forma arbitrária e discriminatória

Criar regras apenas por decisão da síndica/síndico, sem aprovação em assembleia condominial

Aplicar multas sem respaldo na Convenção ou Regimento Interno devidamente aprovados

Proibir a locação convencional de longa duração, seja ela residencial ou por temporada dentro dos limites legais

Como funciona na prática: locação longa x Airbnb

Para facilitar o entendimento, veja as principais diferenças:

Locação convencional (acima de 90 dias)
— Regulada pela Lei do Inquilinato
— Contrato formal obrigatório
— Condomínio não pode proibir
— Inquilino tem direitos garantidos por lei
— Proprietário precisa respeitar prazos para retomada

Locação por temporada (até 90 dias)
— Também regulada pela Lei do Inquilinato
— Permite cobrança antecipada
— Condomínio pode restringir conforme regimento
— Muito comum entre veranistas e viajantes a trabalho

Hospedagem via Airbnb (diárias)
— Considerada contrato de hospedagem pelo STJ
— Regulada pelo Código Civil
— Condomínio pode proibir via Convenção
— Exige maior atenção às normas internas do empreendimento

O que o proprietário deve fazer antes de alugar?

Se você é proprietário de um apartamento em um empreendimento residencial e deseja alugar — seja por longa temporada ou via plataformas digitais —, siga estes passos:

1. Leia a Convenção do Condomínio e o Regimento Interno do seu empreendimento. Procure cláusulas que mencionem locação por temporada, hospedagem ou uso comercial.

2. Consulte a administradora ou síndico sobre as regras vigentes e eventuais restrições aprovadas em assembleia.

3. Formalize sempre o contrato, seja ele de locação ou temporada. Contratos escritos protegem tanto o proprietário quanto o locatário/hóspede.

4. Cadastre hóspedes e inquilinos junto à portaria ou administração, conforme exigido pelo condomínio.

5. Verifique a legislação municipal do seu município, pois algumas cidades possuem regulamentações específicas para locação por temporada e plataformas digitais.

E os inquilinos, têm alguma responsabilidade?

Sim. O inquilino ou hóspede também precisa respeitar as normas do condomínio, mesmo que o contrato seja com o proprietário. O descumprimento das regras condominiais pode gerar multas que serão repassadas ao proprietário — que, por sua vez, pode cobrar o valor do locatário.

Por isso, ao firmar qualquer contrato de locação ou temporada, é fundamental incluir uma cláusula específica sobre a obrigatoriedade de cumprimento das normas condominiais.

Conclusão: equilíbrio entre direito de propriedade e convivência coletiva

A locação de apartamentos em empreendimentos residenciais é um direito legítimo do proprietário — mas esse direito precisa ser exercido dentro das regras estabelecidas pela lei e pela comunidade condominial.

O Airbnb e outras plataformas de hospedagem trouxeram novos desafios para a gestão condominial, e a tendência é que a regulamentação fique cada vez mais específica nos próximos anos. Por isso, manter-se informado e agir com transparência junto ao condomínio é sempre a melhor estratégia.

Tem dúvidas sobre seu empreendimento? Entre em contato com a equipe do Grupo Exito Construtora — estamos prontos para orientar você em cada etapa da sua jornada imobiliária.